És o esteio do mundo
nesta terra de ganância
Onde impera um desamor profundo
triste desesperança...

És a beleza em forma de pureza
num futuro incerto, em tua pobreza
Falta-lhe o teto e o alimento
A ti só resta desafeto

És menino de rua
Nesta metrópole que também é tua
Da fome e do frio, fazes vício
Anestesias teus dias com negro ópio

És a infância perdida
Por crimes sem idade
Qual inseto daninho
sofres a repulsa da sociedade

Os danos que a omissão te causa
Ao tirar os teus direitos de criança
Torna-te credor de um mundo falso
Eterna dívida que jamais se salda

É a ti que peço resignação
Para que vivas a sonhar com o paraíso
Imploro, humildemente, o teu perdão
A todos que roubaram o teu sorriso



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SP 10.10.08
"Coincidência é mais um apelido de Deus"


 

 

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