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Maria Luiza
Bonini
Estou grávida de
amor
Fruto de um
sonho que se faz
sombrio
Devo abortá-lo,
apesar da dor, a
sangue frio
Ainda que
sentindo todo
pavor que trazem
medos
Para que o mundo
se desfaça em
seus falsos
brios
Estou grávida de
amor
Gesto em meu
ventre o filho
do impossível
Condenado a
morrer, sem
direito ao
derradeiro grito
Solução imposta
pela vida
indócil
Mesmo antes de
ter nascido
Estou grávida de
amor
E, tal qual, os
que transgridem
regras
Em favor dos
sentimentos
desarticulados
Verdadeiros,
puros,
irrestritos
Pago pelo mais
cruel de todos
pecados
Estou grávida de
amor
Aquele, de amar,
sem ter motivos
Sem o uso da
razão,
embriagada de
emoção
Neste inferno em
que mergulhei
cativa
N'um não existir
de meu ilusório
mundo
Simplesmente
calo e,
impotente, morro
junto...
SP. 06.10.09
 
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