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O POEMA QUE SURGIU

 

Maria Luiza Bonini
 

Eram lágrimas que escorriam pela janela
Tuas ou minhas, mescladas, se confundiam
Disfarçavam nosso pranto de forma singela
Pela dor do apagar d' um sonho findo

Descortinar nosso pesar, zelosas, não permitiam
Tais como nossas cúmplices, tristonhas
Discretas e silentes, unidas, permaneciam
Observando a agonia da atormentada insônia

Os vidros embaçados, tal olhos marejados
Sugeriam, como uma página em branco
Que lá gravássemos a razão de nosso pranto

Em pena e papel, aquele vidro turvo, transformado
Por tremulas letras, algo escrito, deciframos
Um poema surgia e propagava o quanto nos amamos!


 

 

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