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O romance de
Maria
Maria Luiza
Bonini
Que tal um
cineminha, hoje
à noite?
Maria, exultante
de alegria, logo
concordou. No
fim das contas,
o convite partia
de alguém que há
muito ela
queria. Era, na
verdade, seu
grande amor.
Após uma semana
de árduo
trabalho braçal,
para nenhum
homem botar
defeito, Maria
se arruma, se
apruma, se
converte em uma
linda mulher
para ir ao
encontro do seu
grande sonho, a
sua grande
paixão, o
tropeiro João.
Quem a visse,
jamais diria que
a moça houvera
passado o dia
lidando na roça,
na plantação de
feijão.
Sol a pino,
quando não,
chuva esperada,
de tudo ela era
exposta e
vitimada.
Levava consigo,
o arroz, o feijão,
que comia no
almoço... Comida
fria...
Ao findar seu
trabalho,
voltava pra
casa, com seus
companheiros, em
um sacolejante
caminhão, que
nem para levar
gados serviria.
Era assim... A
vida de Maria.
Estava muito
feliz, naquele
dia...
Com dezoito
anos, Maria
jamais um
encontro teria,
se não fosse o
convite que João
lhe oferecia.
Era sábado!
Quanta alegria!
Em seu vestido
de chita, com o
cabelo enfeitado
de fita, ela
feliz sai da
casinha onde
habita, para
encontrar com o
seu amado João.
E , pensar que
até cinema vai
ter! Será que é
boa a fita?
(pensava Maria).
O filme que
assistem é
deveras
romântico.
A história de
uma Lady que era
uma simples
vendedora de
flores. Filme
antigo. Mas na
cidade só
passava isso.
Foi tudo muito
lindo.
Lá pelo meio do
filme, João lhe
segura a
mão... Ela,
trêmula de
emoção, tenta
evitar, tenta
dizer não, mas o
que sentiu, foi
tão forte, que
resolve ficar
calada... E
assim, assistem
o filme, mão na
mão.
Voltando pra
casa, João lhe
diz da razão de
ter manifestado
a afeição, e lhe
diz com toda
clareza de sua
boa pretensão.
Muito rápido,
tudo acontece.
Certo dia, Maria
aparece de
barriga, estava
grávida... Sua
primeira
concepção.
João resolve que
o casamento,
seria a melhor
solução.
E assim, mesmo
de barrigão,
Maria se casa
vestida de
noiva, com o
tropeiro João.
Passam a viver
na casa dele,
onde havia mais
conforto, pois
tinha até
lampião.
Chega a hora
esperada. Maria, sente as dores
do parto! Que
aflição! Mas ela
está na roça...
Lugar difícil
de sair para
chegar onde
poderia ter a
merecida
atenção.
João consegue
ser avisado... Tenta chegar... mas é em vão.
Quando chega a
sua menina já
havia nascido e
Maria dormia,
deitada no
chão...
Nos seus braços
a linda menina,
sorri para o pai
como se o
esperasse a vida
inteira. Por
falta de
cuidados, Maria,
acaba morrendo...
Para tristeza
de João.
O pai carrega a
filha nos braços
e a leva pro seu
barracão. Ela,
sadia,
sobrevive, para
a alegria de
João.
Tenho que fazer
o registro... E
lá vai nosso
amigo
João... Todo
orgulhoso, ao
Cartório, para
cumprir sua
missão.
Ao ser indagado
do nome para a
filha em questão, ele responde:
- O nome da
minha menina é
Infecção. Como?
indaga a moça da
recepção!
Isto não é nome!
De onde vem esta
sugestão?
João
simplesmente
responde:
- É o
nome que deram
no hospital,
onde a mãe da
menina morreu.
Eles chamaram de
Infecção.
E assim,
Infecção cresceu...
Tornou-se
uma linda moça...
E por seu
nome, infectou
de amor, toda a
região.
O romance de
Maria
Maria Luiza
Bonini
 
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